Sessões gratuitas acontecem na Paraíba, Pernambuco, Alagoas, Rio de Janeiro e São Paulo, com debate presencial e encontro nacional online.

O sertão brasileiro volta a ocupar o centro da tela e do debate contemporâneo, com a exibição de Sertânia, longa-metragem do cineasta baiano Geraldo Sarno. A obra é a escolhida para inaugurar o Cineclube Expectação, nova iniciativa do coletivo CIMM (Cinema no Meio do Mundo), que promove sessões simultâneas em diversas cidades do país. A ação conecta territórios e públicos por meio de uma experiência compartilhada de cinema, com exibições gratuitas realizadas fora dos grandes centros urbanos. Participam da estreia cidades como João Pessoa, Coremas, Princesa Isabel, Pesqueira, Cabaceiras, Diadema, Rio de Janeiro e Penedo. Segundo o cineasta paraibano Tiago A. Neves, a iniciativa amplia o alcance do cinema independente nacional: “Desde 2019, o coletivo promove encontros entre filmes e público, criando espaços de troca com profissionais de diferentes regiões do Brasil”.
Um sertão entre memória, delírio e violência
Rodado no interior da Bahia, nas cidades de Milagres, Brumado e Marcionílio de Souza, Sertânia marca o retorno de Sarno ao longa de ficção após décadas dedicadas a investigar o sertão nordestino em documentários e outras produções. Ambientado no período pré-cangaço, o filme acompanha Antão — interpretado por Vertin Moura — um homem marcado por perdas familiares e pela violência estrutural do sertão. Integrante do bando liderado por Jesuíno Mourão, vivido por Julio Adrião, ele atravessa uma narrativa construída a partir de delírios e memórias enquanto agoniza após ser ferido.
Com fotografia em preto e branco e estrutura não linear, o longa se afasta das representações tradicionais do sertão. A narrativa se desenvolve a partir da mente febril do protagonista, misturando passado e presente, realidade e imaginação.
Cinema como reflexão do Brasil
Mais do que um retrato histórico, Sertânia propõe uma reflexão sobre questões persistentes no país, como fome, violência, deslocamento e pertencimento. A obra dialoga diretamente com a trajetória de Sarno, iniciada nos anos 1960 com Viramundo, e reafirma seu interesse em compreender o Brasil profundo por meio da linguagem cinematográfica. O próprio diretor define o filme como uma construção aberta à interpretação do público, atravessada por temas como paternidade, religiosidade e a busca por um lugar no mundo. A narrativa também carrega elementos metalinguísticos e uma estrutura circular, reforçando a dimensão poética e reflexiva da obra.
Exibição e debate coletivo
Após as sessões presenciais, o público é convidado a participar de debates locais sobre o filme. Na semana seguinte, um encontro online reúne espectadores e realizadores de todas as cidades participantes, ampliando a experiência para um diálogo nacional sobre cinema e território. A proposta do Cineclube Expectação reforça o papel do cinema como ferramenta de encontro, formação e pensamento crítico — especialmente em regiões historicamente afastadas dos circuitos tradicionais de exibição.

Serviço
Sessões simultâneas
23 de abril | 19h |
Entrada gratuita | Classificação: 14 anos
Cidades participantes:
- João Pessoa (PB)
- Coremas (PB)
- Princesa Isabel (PB)
- Pesqueira (PE)
- Cabaceiras (PB)
- Diadema (SP)
- Rio de Janeiro (RJ)
Exibição especial:
Penedo (AL) – 22 de abril, 16h e 19h.


