Um festival, 51 anos de história

Um texto de: Colaboradora Jeslane Braz

O que faz um festival continuar existindo depois de 51 anos? A pergunta parece simples, principalmente quando se trata de um evento que já se tornou parte da memória de uma cidade. Mas talvez a permanência seja justamente uma das coisas mais difíceis de explicar. Afinal, um festival não é feito apenas de palcos, atrações e programações. Ele depende de pessoas dispostas a voltar, de artistas dispostos a continuar criando e de um público novo que encontre algum motivo para fazer parte daquela história.

É curioso pensar no Festival de Inverno de Campina Grande dessa maneira. Quem viveu suas primeiras edições provavelmente possui uma lembrança muito diferente de quem esteve presente nesta 51ª edição. O festival mudou de tamanho, de duração, de público e de maneira de ocupar a cidade. E talvez seja nessa diferença entre as memórias que esteja uma das melhores formas de entender sua trajetória. Esse ano o festival durou cerca de 11 dias, reunindo diferentes atrações artísticas e ocupando espaços da cidade. É uma duração que permite acompanhar uma programação diversa, mas que ainda contrasta com períodos mais longos que já fizeram parte da história do festival. Nas lembranças de quem acompanhou outras edições, permanece a sensação de um evento vivido de maneira mais prolongada, com mais tempo para descobrir a programação e voltar aos espaços.

O que faz um festival continuar existindo depois de 51 anos? A pergunta parece simples, principalmente quando se trata de um evento que já se tornou parte da memória de uma cidade. Mas talvez a permanência seja justamente uma das coisas mais difíceis de explicar. Afinal, um festival não é feito apenas de palcos, atrações e programações. Ele depende de pessoas dispostas a voltar, de artistas dispostos a continuar criando e de um público novo que encontre algum motivo para fazer parte daquela história.

É curioso pensar no Festival de Inverno de Campina Grande dessa maneira. Quem viveu suas primeiras edições provavelmente possui uma lembrança muito diferente de quem esteve presente nesta 51ª edição. O festival mudou de tamanho, de duração, de público e de maneira de ocupar a cidade. E talvez seja nessa diferença entre as memórias que esteja uma das melhores formas de entender sua trajetória. Esse ano o festival durou cerca de 11 dias, reunindo diferentes atrações artísticas e ocupando espaços da cidade. É uma duração que permite acompanhar uma programação diversa, mas que ainda contrasta com períodos mais longos que já fizeram parte da história do festival. Nas lembranças de quem acompanhou outras edições, permanece a sensação de um evento vivido de maneira mais prolongada, com mais tempo para descobrir a programação e voltar aos espaços.

Mas pensar sobre a duração de um festival também passa pela própria relação de Campina Grande com os grandes eventos. E a cidade ajuda a complicar essa resposta. O Maior São João do Mundo permanece durante várias semanas e consegue transformar sua duração em parte da experiência. O Parque do Povo se torna um ponto de encontro constante, as pessoas escolhem os dias em que vão, retornam em outras noites e acompanham a programação de diferentes maneiras. O público demonstra que existe espaço para eventos longos e que a permanência também pode criar uma relação de pertencimento. No caso do Festival de Inverno, os 11 dias ainda oferecem tempo para circular entre shows, espetáculos e outras atividades. Ao mesmo tempo, pensar em sua trajetória faz surgir uma certa curiosidade sobre o que aconteceria se o festival tivesse mais tempo para se espalhar pela cidade e criar uma experiência ainda mais prolongada.

Nesta edição, os jovens aparecem muito. Eles chegam ao festival trazendo referências diferentes, outras formas de consumir cultura e novas maneiras de descobrir artistas. Talvez seja justamente essa presença que permita ao Festival de Inverno continuar atravessando gerações. Um evento de 51 anos precisa ser lembrado por quem já o viveu, mas também precisa ser descoberto por quem ainda não possui nenhuma memória dele. E existe algo interessante nessa descoberta. Um jovem pode chegar por causa de uma atração específica e encontrar, no mesmo espaço, uma manifestação artística que nunca havia visto. Pode conhecer um músico, um grupo de teatro, uma apresentação de dança. Pode sair de um festival carregando uma referência cultural que não tinha quando entrou. E é aí que um festival deixa de ser apenas uma programação de entretenimento e passa a cumprir uma função cultural. Campina Grande costuma olhar para seus artistas com mais atenção quando chega um grande evento.
O Festival de Inverno cria palcos, o São João movimenta a cidade, o Parque do Povo reúne multidões. Durante esses períodos, a cultura local ganha visibilidade e os artistas têm a oportunidade de chegar a um público maior, mas e depois? A produção cultural não acompanha o calendário dos grandes eventos. Ela continua acontecendo quando não existe palco montado, quando as luzes estão apagadas e quando a cidade volta à sua rotina. Músicos continuam compondo, grupos continuam ensaiando e produtores continuam procurando maneiras de fazer seus projetos acontecerem.

Um grande festival pode apresentar um artista para milhares de pessoas. Isso tem um valor enorme. Mas também seria importante que esse público tivesse outras oportunidades de encontrá-lo depois que a arte produzida em Campina Grande pudesse circular por outros espaços, em outros períodos e diante de novos públicos. Que o artista local não precisasse esperar pelo próximo Festival de Inverno ou pelo próximo São João para voltar a ser lembrado.

Essa discussão chega também ao pagamento dos cachês. Existe algo simbólico em um artista ser chamado para representar a cultura da própria cidade e, depois de cumprir seu trabalho, precisar esperar pelo pagamento. O cachê é parte do reconhecimento. Por trás de uma apresentação existem ensaios, preparação, deslocamento, equipamentos e tempo. O palco mostra apenas uma parte de todo esse trabalho.

Por isso, os 51 anos do Festival de Inverno também podem servir para pensar sobre o que significa valorizar uma cultura. Talvez manter um festival vivo por cinco décadas dependa justamente da capacidade de mudar. O local mudou, o público mudou, as formas de consumir cultura mudaram. Os jovens chegaram e passaram a construir suas próprias memórias dentro de um evento que já existia muito antes deles.

O Festival de Inverno tem seus dias, sua programação e seu momento dentro do calendário cultural da cidade. Depois, os palcos são desmontados e a programação chega ao fim. Mas aquilo que foi apresentado ali não precisa desaparecer junto com o festival. A cultura continua sendo produzida, e o público pode continuar procurando por ela.

O Festival termina. Os artistas continuam. E é nesse intervalo entre o fim do evento e a continuidade da cultura que talvez esteja o desafio da próxima edição.

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